O tempo roeu meu brinquedos. Levou meus sonhos mais ingênuos, o cheiro que as coisas tinham. Roubou de mim meu riso, meu pranto, meu tudo. Só deixou para trás algumas coisas que já pouco me importam... Algumas músicas que ainda gosto de cantar, algumas histórias de que me lembro vagamente.
Mas o meu caráter, as minhas escrituras, enfim, o que verdadeiramente me construiu, permanece. E não sei se seria presumir demais, mas acredito que esses meus pedaços não se irão tão cedo.
É aquilo que lapidamos diariamente que fica impregnado pra nunca mais se soltar. Que nem criança fazendo birra, não obedece, não cede, não dá lugar pra quem chegou depois. Se apossa de um jeito que chega a dar raiva. Grande problema.
Quem me dera conseguir convencer os prepotentes de que a convicção não nos leva a nada. Nem ao poder, muito menos à sabedoria. Se eu pudesse gritar para o mundo todo que as idéias pré concebidas não vão muito além de sofismas... Que o cerne de tudo é de difícil acesso e que para essa viagem é preciso estar desprovido de certezas absolutas.
O preconceito é o pior mal que aflige a humanidade. Nos priva da curiosidade, do respeito, do conhecimento, das experiências e todas as suas possibilidades. Que mania de querer chegar sabendo de tudo.
Quanto do que não somos hoje poderíamos ser se nos permitíssemos?
Seu caráter é maravilhoso, sua linda!
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